Notas
(Elfo)
Sábado, 30 de abril, 16:22.
Cheguei na locadora e vi, já de longe, a caixa dourada. Lá, bem onde não deveria estar: nas mãos de um menino de nem bem cinco anos. Enquanto Trasgo blasfemava, esperei confiante na instabilidade das vontades das crianças. Esperei em vão. Um telefonema para outra locadora e lá fomos nós. "Não - pensei enquanto corria atrás do ônibus -, não temos vergonha na cara". Eu e Trasgo cruzamos meia cidade em busca de um jogo de videogame - classificado como infantil pelo fabricante.
* * *
Segunda-feira, 2 de maio, 9:17.
Saí antes do fim da aula e fiquei em espera ansiosa no saguão. Se fumasse, acenderia um cigarro. No horário combinado, Trasgo apareceu sorridente no saguão da universidade. Tinha saído de casa pouco depois das oito da manhã, em plenas férias dele, com frio e com chuva. Entreguei, relutante, a maleta. Lá dentro, o objeto de nossa desgraça: o maldito Game Cube. "Não - pensei, desacreditado em toda a raça humana -, definitivamente não temos vergonha na cara".
terça-feira, 3 de maio de 2005
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