Crônica
(Mestre Anão)
Aqui está a continuação da crônica de ontem. Surpreendentes revelações os aguardam...
A LUTA DO SÉCULO. PARTE I. (CONTINUAÇÃO DE "A VOLTA DO OIL-MAN")
(baseado em fatos reais)
No episódio anterior:
Depois de um ano longe dos holofotes o nosso querido Oil-man resolveu aparecer e entrar para a política. O enorme sucesso do nosso herói fez com que a súcia de políticos da cidade ficasse revoltada. Sobe o comando de Rafael Greca eles decidiram unir-se para destruir o amado herói curitibano. Mas como nenhum deles possuía envergadura moral para enfrentar o Oil-man acabaram contratando o Inri Cristhi para executar o serviço. A maior batalha já vistas por estas paragens está para começar e de que lado você, caro leitor, vai estar?
Vamos para o quebra...
SURGE UM VILÃO.
Álvaro Tais nasceu em Santa Catarina, numa família de descendentes de alemães, mas ainda bebê veio para os arrabaldes de Curitiba. Trabalhava na roça com seu pai e vendia seus produtos na feira. Isto é tudo o que sabemos sobre a sua vida até os vinte e três anos de idade. Foi mais ou menos nesta época que, um dia, indo para a lavoura começou a ouvir vozes que o chamavam para o meio da plantação de tomates. Para este rapaz de formação protestante isto era um fato novo e, no meio de um tomateiro ardendo em chamas, ele recebeu a notícia de que era a reencarnação de Jesus Cristo. Ninguém pode comprovar se esta história é real, ou se é apenas fruto da mente incauta de Álvaro Tais, mas como eu sempre digo: “cada um acredita naquilo que melhor lhe convém”.
Fato é que o jovem levou a sério este chamado e saiu em peregrinação pelo mundo em busca de uma confirmação. Viajou por vários países europeus e por onde andava arranjava confusão com as autoridades eclesiais (sejam elas católicas, protestantes, ou a denominação que seja; a exceção da umbanda). Da França ele foi expulso depois de invadir a catedral de Notre Dame durante uma celebração e atacar um padre indefeso com uma cadeira de imbuia em punho. Na Espanha sua pregação agradou muito os anarquistas locais (principalmente a parte que falava mal das igrejas), mas quanto disse que queria ser o líder deles acabou sendo expulso também. Na Itália ele quis confrontar-se com o Papa, mas alguém tinha se adiantado e feito um atentado contra a vida do Sumo Pontífice alguns dias antes. Este foi o único país de onde ele não foi expulso. De lá ele tomou um barco e foi para a Terra Santa. Andando pelas ruas de Jerusalém ele teve a terrível sensação de dejavu; e foi em cima do monte do Gólgota que ele recebeu a confirmação que tanto procurava. Desceu de lá com a plena convicção de que era realmente a reencarnação do Filho de Deus e adotou o nome de Inri Cristhi por ser este o nome que estava gravado na cruz no seu último dia na terra (palavras dele. Eu não ouso questionar já que ele tava lá e eu não...). Voltou para o Brasil, a nova Terra Prometida (palavras não só deles como as de um monte de governantes nossos), a fim de pregar a proximidade do fim dos tempos. Invadiu uma Igreja enquanto um grupo de jovens apresentava a “vida de Cristo”, roubou a túnica que o rapaz que fazia o papel de Jesus estava vestindo e com ela passou a vestir-se desde então. Fixou morada em Curitiba, pois esta cidade tem uma forte atração para as coisas místicas. Um exemplo é que a maior Ordem RosaCruz da América está localizada aqui.
Arrebatou alguns seguidores para a sua religião e com o tempo passou a ser conhecido pelo povão graças a suas discussões com o padre Quevedo no programa do Ratinho. Também passou a promover procissões pela rua Quinze. O ápice de sua popularidade foi quando desafiou representantes de várias religiões para enfrentá-lo em debates abertos no programa “Tribuna na TV”. Foi nesta época que surgiu o movimento “leigo” de senhoras e que apóia à causa de Inri Cristhi com um nome que é ao mesmo tempo uma questão: “E Se For Verdade?”. Depois disso ele entrou num ostracismo midiático, mas continuou com suas pregações em sua igreja no Boqueirão.
Quando o Rafael Greca entrou em contato com ele, este estava passando por uma grande crise financeira. A URBS resolveu despejar uma série de multas sobre ele, alegando que o Inri, com sua Toyota Bandeirantes 1966, havia ultrapassado o limite de velocidade em várias ruas com “pardais”. Até um teste ele fez para provar que seu carro não conseguiria ultrapassar os 60Km/h, mas acabou não dando certo. (Agora cá entre nós: a URBS não respeita nem o “Filho de Deus”. Eu acredito que o mal maior desta cidade não são os políticos, nem o povinho fechado, mas sim esta empresa que, não satisfeita em controlar somente as coisas relacionadas ao trânsito, comanda praticamente tudo relacionado ao município e a região metropolitana.) Mas o fato é que Inri estava precisando de dinheiro para pagar as multas e a proposta do Rafael Greca vinha bem a calhar. Sem contar o rancor pessoal que ele guardava do nosso amado herói, porque este arrebanhava mais seguidores que ele que é o “Filho de Deus”. Aceitou na hora a proposta, mas executaria a missão a sua maneira e queria pagamento adiantado. Greca não teve outra escolha senão aceitar o trato. Assim foi urdida a mais diabólica (???) trama que esta cidade já teve notícias.
O COMBATE: PRIMEIRO ROUND.
Enquanto isto o nosso herói continuava a sua campanha política. A cada dia novas pessoas aderiam ao movimento que passou a se chamar: “Por uma Curitiba Besuntada com Óleo Novo de Justiça, Igualdade e Fraternidade”. Várias personalidades da cidade começaram a apoiar o Oil-man tais como: o Chain; a Maria Louca; o Homem-Prateado do calçadão; a associação de senhoras “Tias do Passeio”; e, dizem alguns, que até Paulo Leminski baixou num centro espírita para dizer que apoiava nosso herói. A verdade era que a campanha ia de vento e polpa e isto fazia com que os seus inimigos se mordessem de raiva.
Apesar de toda esta nova onde de popularidade o nosso aclamado herói não abandonou os seus passeios de bicicleta. Quer dizer com sua bicicleta, pois ele leva esta para passear e raramente alguém viu ele montado nela para andar. Dizem que quando ele pedala a sua bicicleta consegue atingir uma velocidade de quase 2 mach (duas vezes a velocidade do som, eu acho), graças ao óleo de urucum. Todos os dias ele anda com ela no calçadão da rua Quinze e continua seu passeio pela canaleta do biarticulado. Com isto nosso herói aproveita para se exercitar (já que ele se denomina atleta) e para verificar seu grau de popularidade. Com o início da campanha ele mudou o seu passeio do meio da tarde para o início da manhã, pois assim pode ter contato com os trabalhadores.
Foi numa destas belas manhãs (e frias também) que tudo aconteceu.
Oil-man acordou cedo. Trocou sua sunga de dormir pela sua sunga de gala (agora ele só usa sungas de gala por causa da campanha) e foi para seu compartimento secreto para passar o óleo de urucum. Aquele dia em especial o seu óleo estava mais viscoso e mais opaco. Nosso herói não ligou muito, pois achou que era apenas por causa do frio. Besuntou-se todo e saiu com sua bicicleta. Enquanto isto, na Estação Central, Inri Cristhi e seus asseclas, estes com suas lindas túnicas azul bebê/calcinha/geladeira/fusca (vai do gosto do freguês) que é a roupa de combate deles, seqüestravam um biarticulado e partiam a caça do Oil-man.
Nosso herói, por sua vez, continuava tranqüilamente seu passeio matinal. Foi quando, de repente, percebeu que um biarticulado vinha em desabalada carreira em sua direção. Ele não pode acreditar quando viu que quem estava dirigindo era ninguém menos que o Inri Cristhi. Nos olhos do condutor ele pode ver um misto de ódio e prazer. Tomou a rápida (e sábia) decisão de subir na sua bicicleta e fugir na velocidade do som (vezes dois). Mas foi aí que ele percebeu que seus poderes não funcionavam mais e que o óleo de urucum não estava fazendo efeito. Algo tinha acontecido.
Inri Cristhi ria loucamente ao ver que seu plano tinha dado certo. A idéia de jerico do Rafael Greca de colocar essência de urtiga radioativa nunca iria funcionar contra o Oil-man. Era preciso mais. Inri por sua vez havia mandado um dos seus asseclas invadir a casa do nosso herói e misturar ao óleo de urucum um composto que juntava o óleo de “olho de baleia” (que os tiozinhos vendem no ponto do Tanguá) com essência de “comigo ninguém pode” braba. Havia funcionado perfeitamente e todo o vigor do corpo do Oil-man tinha acabado. Sem contar a satisfação de dirigir um biarticulado lotado e sem a mínima noção de como se faz isto.
O nosso amado herói juntou todas as suas forças e começou a pedalar desesperadamente, mas a cada instante Inri Cristhi se aproximava mais com o biarticulado. Para piorar, Inri dava umas buzinadinhas no ouvido do Oil-man. Logo estaria tudo acabado e só mesmo um milagre podia salvá-lo. Mas como acreditar em milagres quando o próprio “filho de Deus” está contra você? Em sua cabeça, Oil-man, só conseguia pensar: “Grande Elvis! Quem agora poderá me defender?”
(Lógico que continua e nem seja louco de perder a última parte desta emocionante história).
sexta-feira, 30 de julho de 2004
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