quinta-feira, 29 de julho de 2004

Crônica
(MA)

Eis a mais nova crônica sobre o seu herói favorito: o Oil-man.


A VOLTA DO OIL-MAN NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS: RELATO DE UM POPULAR.
(Baseado em fatos reais)

Um ano se passou desde do movimento que ficou conhecido na imprensa paranaense (se bem que isto não significa muita coisa) como “O levante dos Besuntados”, que fora encabeçado pelo nosso amado Oil-man. Poucas semanas depois que a polícia reprimiu o movimento já podíamos ver o nosso herói andando ignoto pelas ruas da cidade. Dizem que ele escapou graças a um poder misterioso advindo do óleo de urucum que é o de poder estar em vários lugares ao mesmo tempo. Relatos de pessoas idôneas dizem que podem encontrá-lo no começo do calçadão das flores seguindo uma direção e, menos de um minuto depois, vê-lo numa das ruas secundários caminhando em sentido totalmente oposto. Apesar de todas as teorias e bafafás o importante é que o Oil-man voltou a sua rotina de passeios ciclísticos diários sem ser incomodado pelos transeuntes.

Com a aproximação das eleições municipais de Curitiba os ânimos de vários candidatos (treze no total) se exaltaram. Todos queriam o apoio do grande herói da cidade para as suas candidaturas (apesar de nenhum deles ter ajudado o nosso amigo quando este precisou), pois com o seu carisma, o brilho do seu corpo e sua imitação de Elvis a eleição estaria garantida. Um após o outro foram pedir sua ajuda, mas o nosso besuntado herói respondia sempre que não, apesar das tentadoras propostas de cargos, dinheiro, mulheres, terra, água e poder. Isto deixou todos os assessores políticos em polvorosa: “o que ele está aprontando agora?”. Foi quando alguém teve a não tão brilhante idéia de pergunta-lhe “por quê não?”. A pronta resposta foi a seguinte: “Vós sois vis, embusteiros, maganos, insoletaços, uma vergonha para a política local e nacional. Nas vossas mãos Curitiba afundará cada vez mais no limbo neoliberal que os governantes urbanistas a jogaram. O nosso povo continuará na miséria achando que esta numa cidade de primeiro mundo. As nossas crianças continuaram achando que os Faróis do Saber são a biblioteca de Alexandria e não uma concepção megalomaníaca de um dos malfadados administradores urbanistas. O trabalhador vai continuar pagando R$ 1,90 no transporte coletivo pelo gosto de enfrentar filas e entrar em espaços apertados; sem contar a emoção de poder ter sua carteira afanada por um trombadinha, que não é mais que uma vítima do nosso cruel sistema. ‘Não, não quero ser um ditador. Quero, se possível, ajudar negros e judeus, mulheres e crianças, homens e homossexuais’ E por isto lanço a minha candidatura para concorrer ao cargo de prefeito, com a convicta certeza de que serei eleito no primeiro turno.” Todos os que escutaram ficaram embasbacados. As lágrimas brotaram em alguns olhos. O discurso (na integra) foi publicado em vários jornais, sendo pauta por vários meses (afinal, depois de uma notícia dessas, ninguém está interessado em saber de outra coisa).

Lógico que os políticos não gostaram nem um pouco da idéia. A primeira reação foi tentar impugnar a candidatura alegando que o nosso herói não teria condições psicológicas para assumir o cargo. A justiça eleitoral (sempre a serviço do poder) obrigou o Oil-man a realizar vários testes. Nosso herói passou com louvor em todos, sendo considerado absolutamente normal por uma banca de médicos e psicólogos. Tentaram, mais uma vez através da Justiça Eleitoral, acabar com o Oil-man alegando que este não possuía escolaridade para ocupar o cargo e que ele era um analfabeto funcional, mas esta teoria foi posta por terra depois que nosso amigo mostrou o seu diploma de biólogo pela UFPR. A corja pútrida e senil da política curitibana viu que através da Lei seria impossível segurar o Oil-man. Eles até tentariam um ataque pessoal ao Oil-man, mas ficaram com medo dos poderes secretos que o óleo de urucum conferiria a ele.

Enquanto seus inimigos confabulavam para acabar com sua candidatura nosso amigo a cada dia ganhava mais o apreço da população. Velhinhos, crianças, jovens e adultos: todos queriam ver mais de perto o homem que resolveu enfrentar os velhacos de nossa política. A primeira pesquisa do Ibope já listava o Oil-man em primeiro lugar com uma diferença de mais de dez pontos do segundo colocado. Nos debates na TV, ele usava todo a sua eloqüência e charme (o cara fica ‘tudo’ só de sunga e gravata borboleta) para derrubar seus adversários. A população ficava em êxtase com seus discursos inflamados. A campanha ia cada dia melhor e nada do que seus adversários fizessem podia macular sua imagem.

Foi aí que o impossível aconteceu.

Numa noite fria de Curitiba, nos porões do Estação Convention Center (já que faltou dinheiro para alugar uma sala decente e vocês já vão saber o porquê) uma insólita aliança começou a ser tecida. Ângelo Vanhoni, Beto Richa, Mauro Moraes e Rubens Bueno encontraram-se sobre a tutela do mais vil e sórdido político curitibano: Rafael Greca de Macedo. A idéia era formar um conchavo para desbancar o Oil-man. Após muitas horas de negociação eles viram que por mais forte que fosse a aliança (e esdrúxula também, com Vanhoni para prefeito e Beto Richa para vice) eles não conseguiriam alcançar o objetivo. A vista deles só havia uma maneira de acabar com a candidatura do Oil-man e esta incluía acabar com o nosso herói e qualquer lembrança dele na face da Terra. Porém eles teriam que ter cuidado para não transformá-lo em mártir, pois desde o Padre Cícero ninguém conseguiu ocupar o imaginário popular como o Oil-man. Além de líder político, ele era considerado um mestre da ascese espiritual, um xamã, um personal treiner das massas, um guru de estrelas e outros tantos títulos que o povo piedoso lhe deu. Os inimigos do Oil-man sabiam que estavam andando em terreno pantanoso e que todo cuidado era pouco. Foi quando o Rafael Greca tomou a palavra e propôs: “Amigos, temos que acabar é com a imagem que as pessoas tem do Oil-man e só há um meio de se fazer isto: colocar essência de urtiga radioativa no óleo de urucum dele. Assim, além de se tornar uma aberração ele vai perder todos os poderes e poderemos atacá-lo frontalmente. Porém como aqui não há homem suficiente para fazer isto teremos que contratar um mercenário para executar o serviço. Eu pensei em vários nomes famosos como: o palhaço Bozo; o Bradock (não o do filme, mas o deputado); a Carmem Sandiego; o Gralha; o Conde Xiquinho Drácula Scarpa; os sevos de Morgoth; a Márcia Goldshimtd; o Marquito; entre outros. Mas a maioria deles está trabalhando para o Bush procurando o Osama Bin Laden, ou tem medo de enfrentar o Oil-man. Por isto achei por bem gastar todas as nossas economias e contratar o Inri Cristo para executar o serviço. Afinal quem poderia alcançar mais as graças do piedoso povo curitibano do que a pretensa encarnação do Filho de Deus? E, se ele for mesmo o messias, não terá medo de enfrentar o Oil-man.”

A trama estava montada e a batalha do século se aproxima. Será que o nosso querido Oil-man conseguirá escapar com vida desta perigosa armadilha? E será que a aliança Vanho-Richa vai invadir a prefeitura? E o Rafael Greca? Será que a empresa dele vai tomar vergonha na cara e asfaltar a minha rua? Eis as perguntas que não querem calar...

Conclui em trinta dias (se o Apocalipse não chegar antes)